E eu, que já não vejo mais tão longe que você
Que deveria dizer coisas que eu não sei
E viveria outras vidas no além,
Porque...
Nada é tão fácil quanto os olhos me convém
E já não sei mais do que muito, mais além
Dos outros dias nem tão belos quanto...
E viveria os meus elos pra você
Tão sóbrio, tão quanto eu queria
Flores luzindo dias
De um maluco que não vê
Tão vivo, e em outra vida
Largado vou deixando
E a passos soltos dou minha vida pra você
E hoje, ainda me pergunto pra dizer
Que ignoro outras vidas por fazer
Tão fácil antes, antes mesmo de te ver
A veste é sua, a escolha é você,
Meus passos antes, antes mesmo de saber
Porque...
Nada é tão fácil quanto os olhos me convém
E já não sei mais do que muito, mais além
Dos outros dias nem tão belos quanto...
E viveria os meus elos pra você
Tão sóbrio, tão quanto eu queria
Flores luzindo dias
De um maluco que não vê
Tão vivo, e em outra vida
Largado vou deixando
E a passos soltos dou minha vida pra você
domingo, 22 de janeiro de 2012
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Monólogo: De um, para outro homem morto
-Não me olhe nos olhos com tamanha pena, moribundo dos infernos, quando me julgas se condena ao limbo tanto quanto me jogas ao tártaro.
-Cale-se, homem ignorante, porque protestas e vocifera contra os quase-mortos a beira da inevitável morte?
-Além de protestos nada me resta, além de meias palavras de destino certo, além do pó que se guardará sobre a fria sepultura.
-Temes o concreto e foges do incerto, reclama e pragmatiza com tentativas complexas, quem és tu que ages de forma tão pueril e incoerente esperando um cru resultado seguro?
-Nada sou além de nada e nada espero do que não provém do nada. Consegue entender e confiar na lógica de um semi-morto?
-Tão fácil quanto me vejo assentado no fim do mundo, à beira do abismo, em tamanho estado pútrido e imundo.
-Então não me julgas de fato? Cadaver é, convicto, em termos límpidos e claros?
-Certo como o frescor dos miasmas que nos levam abaixo, certo como resta noite após o dia, indiscutivelmente, meu caro, de fato.
E naquele fim de tarde somente uma tumba foi cavada, uma lápide foi cravada, mesmo que de pertencente aos vivos, não sobrara nada.
-Cale-se, homem ignorante, porque protestas e vocifera contra os quase-mortos a beira da inevitável morte?
-Além de protestos nada me resta, além de meias palavras de destino certo, além do pó que se guardará sobre a fria sepultura.
-Temes o concreto e foges do incerto, reclama e pragmatiza com tentativas complexas, quem és tu que ages de forma tão pueril e incoerente esperando um cru resultado seguro?
-Nada sou além de nada e nada espero do que não provém do nada. Consegue entender e confiar na lógica de um semi-morto?
-Tão fácil quanto me vejo assentado no fim do mundo, à beira do abismo, em tamanho estado pútrido e imundo.
-Então não me julgas de fato? Cadaver é, convicto, em termos límpidos e claros?
-Certo como o frescor dos miasmas que nos levam abaixo, certo como resta noite após o dia, indiscutivelmente, meu caro, de fato.
E naquele fim de tarde somente uma tumba foi cavada, uma lápide foi cravada, mesmo que de pertencente aos vivos, não sobrara nada.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Sentenciado e putrefeito
Me convidaram a sentar defronte a ti.
Mesmo depois de anos,
Mesmo depois de morto, cremado.
Foi inevitável.
Mas desejados foram seus ossos fora da terra,
E desejadas foram suas raízes arrancadas,
Suas pegadas erradicadas, e,
Sem a injúria conter,
Envenenado foi solo com a tinta das veias,
Que significava e corria por seu miserável ser.
Me foi ordenada a busca de suas cinzas, e
N’outro ensejo me foi dito onde achá-las.
E sem motivo ou justificativa coerente,
Arraigado ao delírio, é possível perceber
Que apregoado o extermínio, ditas as falas
O simbolismo trouxe tudo ao fim.
Manipulando e distorcendo,
Sentencia e executa por menos, e assim,
Faz de mim arauto do incerto,
Que de certo nada tem,
Se não a única e inequívoca tarefa,
De erguer as pressas, palavras extintas,
Fitando o constrito, exíguo e irrelevante,
Com aromas, manifestações finitas,
De memórias, de dias d’antes,
De dantescas, se irrelevantes,
Pitadas de caos, insensatamente marcantes.
E, se mesmo agora hesito a tirá-lo do exílio,
Abrir a tumba, rasgando suas as ataduras,
Espalhando-o por todo o recinto,
Liberando o ar pútrido, asmático e corrupto,
É por saber que a carne apodrece e corrói,
Que o que existe se desfaz e perece,
Incondicionalmente.
Mas todo e nenhum complexo morre,
Se vê livre de vestígio ou confessa-se após a morte,
Seguido de um levante do júri,
De e composto de mortos para que me digam
Quem é o culpado, o cúmplice e a testemunha,
Se a sentença é enferma e perdida a própria sorte?
Mesmo depois de anos,
Mesmo depois de morto, cremado.
Foi inevitável.
Mas desejados foram seus ossos fora da terra,
E desejadas foram suas raízes arrancadas,
Suas pegadas erradicadas, e,
Sem a injúria conter,
Envenenado foi solo com a tinta das veias,
Que significava e corria por seu miserável ser.
Me foi ordenada a busca de suas cinzas, e
N’outro ensejo me foi dito onde achá-las.
E sem motivo ou justificativa coerente,
Arraigado ao delírio, é possível perceber
Que apregoado o extermínio, ditas as falas
O simbolismo trouxe tudo ao fim.
Manipulando e distorcendo,
Sentencia e executa por menos, e assim,
Faz de mim arauto do incerto,
Que de certo nada tem,
Se não a única e inequívoca tarefa,
De erguer as pressas, palavras extintas,
Fitando o constrito, exíguo e irrelevante,
Com aromas, manifestações finitas,
De memórias, de dias d’antes,
De dantescas, se irrelevantes,
Pitadas de caos, insensatamente marcantes.
E, se mesmo agora hesito a tirá-lo do exílio,
Abrir a tumba, rasgando suas as ataduras,
Espalhando-o por todo o recinto,
Liberando o ar pútrido, asmático e corrupto,
É por saber que a carne apodrece e corrói,
Que o que existe se desfaz e perece,
Incondicionalmente.
Mas todo e nenhum complexo morre,
Se vê livre de vestígio ou confessa-se após a morte,
Seguido de um levante do júri,
De e composto de mortos para que me digam
Quem é o culpado, o cúmplice e a testemunha,
Se a sentença é enferma e perdida a própria sorte?
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Tempo dos livros mortos
No tempo dos livros mortos, enterrados pelas areias do tempo, sente-se, escolha um canto e perceba com quão sutil dever lhe levaram os dizeres e os fazeres de outrora.
Veja que as alianças não apregoadas se foram com os ventos que estas não tocaram, e que todo pedaço de matéria viva de sonho muda de significado. E isto se faz pelo vão dos dedos, espreitado por olhos que não se dão conta de que além de vistos não vêem.
Veja também que as palavras perdem o som, e no papel perdem a forma, o efeito, e nada que diga soará para mudar o que já não se ouve. Inevitavelmente um mundo surdo, um mundo de mudos.
Observe que os antigos laços afrouxam, mas não em força. Apenas maleabilizam sua existência, adaptado-a a grandes distâncias e velhas memórias. Os laços novos? Estes são insípidos e sem colorido, na verdade, não há mais ânimo para se embrulhar presentes.
No tempo dos livros mortos, que aparentemente nunca tiveram vida, tudo é o mesmo, porém, nada é igual, basta apenas, assíduo leitor, abrir seus olhos e ver sua face em rabiscos na areia, perder-se no silêncio e notar até onde ontem não é hoje e o de sempre nada dura.
Will
Apenas cortando a rotina com algum som inaudível... Adieu.
Veja que as alianças não apregoadas se foram com os ventos que estas não tocaram, e que todo pedaço de matéria viva de sonho muda de significado. E isto se faz pelo vão dos dedos, espreitado por olhos que não se dão conta de que além de vistos não vêem.
Veja também que as palavras perdem o som, e no papel perdem a forma, o efeito, e nada que diga soará para mudar o que já não se ouve. Inevitavelmente um mundo surdo, um mundo de mudos.
Observe que os antigos laços afrouxam, mas não em força. Apenas maleabilizam sua existência, adaptado-a a grandes distâncias e velhas memórias. Os laços novos? Estes são insípidos e sem colorido, na verdade, não há mais ânimo para se embrulhar presentes.
No tempo dos livros mortos, que aparentemente nunca tiveram vida, tudo é o mesmo, porém, nada é igual, basta apenas, assíduo leitor, abrir seus olhos e ver sua face em rabiscos na areia, perder-se no silêncio e notar até onde ontem não é hoje e o de sempre nada dura.
Will
Apenas cortando a rotina com algum som inaudível... Adieu.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Retratações deixadas próximas ao espelho
E eu estava errado. Errado quando criei absurdos pra nutrir o egocentrismo exacerbado que convive comigo. Errado em odiar os outros quando deveria odiar a mim ou odiar o ódio. Suficientemente errado pra dizer que não faria diferença e que os dias passariam como se nada houvesse acontecido.
E nada tenho a fazer, a não ser me desculpar pelas sandices que povoam o inóspito buraco da minha mente, que nada tem a não ser conspirações tolas, de uma falta de senso sem rumo, que leva só ao desastre.
E temo dizer que não é a primeira, nem será a última vez que acontecerá. Por mais que eu e você achemos descarado afirmar tal iniquidade.
Por isso complemento com mais, dizendo errada a minha teoria da substituibilidade e errada minha arrogância ignorante, não em conhecimento, mas em existência.
Nada é reparável, nada é ignorável, nada é perverso demais a ponto que não se possa tirar algo proveitoso. Portanto reitero os alicerces do que pra mim já havia dado como morto, e me desculpo pelas vítimas que julguei feridas, e os culpados que julguei condenados.
Arquitetando uma nova falácia para narrar a mim na esperança de substituir mais uma das fábulas que se vai, me despeço. Rogo para que tenha paciência comigo e com os demais problemas que me acompanham.
Will
E nada tenho a fazer, a não ser me desculpar pelas sandices que povoam o inóspito buraco da minha mente, que nada tem a não ser conspirações tolas, de uma falta de senso sem rumo, que leva só ao desastre.
E temo dizer que não é a primeira, nem será a última vez que acontecerá. Por mais que eu e você achemos descarado afirmar tal iniquidade.
Por isso complemento com mais, dizendo errada a minha teoria da substituibilidade e errada minha arrogância ignorante, não em conhecimento, mas em existência.
Nada é reparável, nada é ignorável, nada é perverso demais a ponto que não se possa tirar algo proveitoso. Portanto reitero os alicerces do que pra mim já havia dado como morto, e me desculpo pelas vítimas que julguei feridas, e os culpados que julguei condenados.
Arquitetando uma nova falácia para narrar a mim na esperança de substituir mais uma das fábulas que se vai, me despeço. Rogo para que tenha paciência comigo e com os demais problemas que me acompanham.
Will
domingo, 13 de junho de 2010
Sonhos
Era uma vez um menino, que sentado ao lado de seus sonhos, contava-lhe seus medos e alegrias de poucos dias. Era uma vez o futuro, que zelava pelos sonhos do pequeno.
A chuva cai, a criança cresce, o sonho some e o futuro torna-se o menino.
Will
A chuva cai, a criança cresce, o sonho some e o futuro torna-se o menino.
Will
sábado, 15 de maio de 2010
Harlerrot
Erguendo os olhos incrédulos
Bem ou mal, são como seguem as cortinas
Brilhando as luzes como brilham os dias
Reluzindo o mármore que cobre as expectativas
Ao sorrir, ao cair as lágrimas de tinta
Aclamando ao zombar da vida
Ah se o mármore sorrisse além da tinta
E a máscara se quebrasse, e tocasse a Colombina
Saltitando em pleno palco, expressando alegria
Que passam dos olhos, que por trás da máscara
As luzes vêem, e esperam o dia
Quem se dera conta do valor de tanto mimo
Distante da normalidade, calando o silêncio
Ao fluir de luas, puritano maluco
Quem se dera conta do quão bobo e travesso se faz
Irrisível, caricato, levemente sagaz
Entre peripécias e pormenores, do frio mármore
Do anonimato se apraz
Ingenuamente, de roupas largas figurando em meio a vida
Controverso, de ladina poesia
Aguardando o descuido de um lado,
Para de assalto tomar, a loucura ou a rebeldia
Que pinta as faces sobre o mármore
E esconde a realidade sincera, no ato, palco da vida.
Will
Mais que mais palhaços, mais que mais Commedia dell'arte, mais que horas perdidas, menos que eu poderia.
Bem ou mal, são como seguem as cortinas
Brilhando as luzes como brilham os dias
Reluzindo o mármore que cobre as expectativas
Ao sorrir, ao cair as lágrimas de tinta
Aclamando ao zombar da vida
Ah se o mármore sorrisse além da tinta
E a máscara se quebrasse, e tocasse a Colombina
Saltitando em pleno palco, expressando alegria
Que passam dos olhos, que por trás da máscara
As luzes vêem, e esperam o dia
Quem se dera conta do valor de tanto mimo
Distante da normalidade, calando o silêncio
Ao fluir de luas, puritano maluco
Quem se dera conta do quão bobo e travesso se faz
Irrisível, caricato, levemente sagaz
Entre peripécias e pormenores, do frio mármore
Do anonimato se apraz
Ingenuamente, de roupas largas figurando em meio a vida
Controverso, de ladina poesia
Aguardando o descuido de um lado,
Para de assalto tomar, a loucura ou a rebeldia
Que pinta as faces sobre o mármore
E esconde a realidade sincera, no ato, palco da vida.
Will
Mais que mais palhaços, mais que mais Commedia dell'arte, mais que horas perdidas, menos que eu poderia.
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