Já não sei, quando me vem abaixo
E o que sei, inunda o que faço
E a água não, não quer parar
E o tempo não, não vai parar
E essa noite negra, não vai passar
Lua nova, de nuvens escassas
Manipulando, fazendo-me caça
Daquele soturno vulto
Ainda a noite não cessará
As árvores altas não podem salvar
Os meus delírios de inundar
Os vales abaixo
Negros desejos, a afundar
Eu sei, pesadelos ainda sabem nadar
E eu também sei, que árvores altas não podem salvar
Mas deixem essa torneira aberta,
vez outra e certamente, hei de tentar
Frequemente, as noites às vezes choram
E sim, arma, a lua, a sua caça
E o que fazer, com o que restar?
E o que farei, se não nadar?
Subindo a água sem parar
A lua tão alta hei de afogar
Sim, como um aquário
Com delírios, sonhos
Um aquário lunar
Eu sei, a lua não irá afundar
E eu também sei, que árvores altas servem pra enfeitar
Mas deixem meu sonho quieto
O dedico a outrem, este aquário lunar
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Através da prata as safiras que choram
Deliberadamente calmo, e hoje, como ontem, anteontem e por assim girar os ponteiros do vital relógio contra seu curso habitual, eu fito os olhos sobre meus olhos no espelho de prata polida da sala de estar. Não me convém bradar contra o mundo que se forma por de trás da prata, não me convém exaltar os ânimos sem que as queixas tenham claro sucesso.
Confesso que sempre admirei a beleza daquele espelho, ornado com enlaces complexos cravados na prata, que brilham onde merece a luz e enegrecem seus veios mais obscuros. Seu espírito gótico embala uma leve dormência contemplativa, um filosofar visual, um exaltar silencioso. Era um belo e antigo espelho de prata polida.
Mas não, hoje em dia o meu interesse não era mais contemplar aquela peça de antiquário, longe disso. Atualmente o que me prendia àquele pedaço de metal brilhante era tão somente a capacidade de ver também o pranto das safiras, jóias de um fantasma alvo.
Objeto algum ao passar por baixo destes minuciosos olhos havia revelado o mundo gelado que a prata aclarava diante de meus olhos. Olho algum havia deitado a vista sobre esse mundo, e nem haveria de deitar.
Eram safiras de gelo as que brilhavam em meio a neve, gelo luzindo sobre gelo. E derretiam, gradativamente derretiam, talvez chorassem de fato. E esse mundo não me alegrava, o oposto, na verdade. Ainda não fora inventada palavra para arremessar em protesto contra um delírio involuntário. Uma pena.
Pois ainda a me incomodar com a glacial ilusão, me perdi em pensamentos vagos, me perdi em acontecimentos vagos, me perdi em uma vida vaga.
Então vendi. Não desejava mais fitar olhos com o frio que derivava daquela peça brilhante, desejava me libertar daquele mundo gelado.
E ao entregar o espelho ao simpático senhor que o comprara, enquanto esse contava as notas de sua velha e desgastada carteira, me ative a um detalhe novo. Justamente por ser um detalhe, sobre um espelho que eu trilhava com os olhos todos os dias, que mais me instigou a verificar. Uma particularidade estranha gravada de forma singela, atrás do corpo do espelho, próximo às costas da moldura, uma inscrição até agora desconhecida por mim:
“Desta prata, o reflexo d’alma”. E assim, entreguei o reflexo da minha alma àquele senhor.
Confesso que sempre admirei a beleza daquele espelho, ornado com enlaces complexos cravados na prata, que brilham onde merece a luz e enegrecem seus veios mais obscuros. Seu espírito gótico embala uma leve dormência contemplativa, um filosofar visual, um exaltar silencioso. Era um belo e antigo espelho de prata polida.
Mas não, hoje em dia o meu interesse não era mais contemplar aquela peça de antiquário, longe disso. Atualmente o que me prendia àquele pedaço de metal brilhante era tão somente a capacidade de ver também o pranto das safiras, jóias de um fantasma alvo.
Objeto algum ao passar por baixo destes minuciosos olhos havia revelado o mundo gelado que a prata aclarava diante de meus olhos. Olho algum havia deitado a vista sobre esse mundo, e nem haveria de deitar.
Eram safiras de gelo as que brilhavam em meio a neve, gelo luzindo sobre gelo. E derretiam, gradativamente derretiam, talvez chorassem de fato. E esse mundo não me alegrava, o oposto, na verdade. Ainda não fora inventada palavra para arremessar em protesto contra um delírio involuntário. Uma pena.
Pois ainda a me incomodar com a glacial ilusão, me perdi em pensamentos vagos, me perdi em acontecimentos vagos, me perdi em uma vida vaga.
Então vendi. Não desejava mais fitar olhos com o frio que derivava daquela peça brilhante, desejava me libertar daquele mundo gelado.
E ao entregar o espelho ao simpático senhor que o comprara, enquanto esse contava as notas de sua velha e desgastada carteira, me ative a um detalhe novo. Justamente por ser um detalhe, sobre um espelho que eu trilhava com os olhos todos os dias, que mais me instigou a verificar. Uma particularidade estranha gravada de forma singela, atrás do corpo do espelho, próximo às costas da moldura, uma inscrição até agora desconhecida por mim:
“Desta prata, o reflexo d’alma”. E assim, entreguei o reflexo da minha alma àquele senhor.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Doce vício
Acredite em mim
Dos meus dedos mal posso
Valer e assim
Não o tenho em meus ossos
Mas procuro encontrar
Nem que seja em vão
Poder lamentar
Caprichos à mão
Doce vício
O de respirar
Doce vício
De ter, provar
Todas as verdades,
Dos erros, maldades
Sim, em algum lugar
Acredite em mim
A verdade é o ópio
Simples assim
Mas tê-la eu não posso
E todo o esforço
Levado ao impulso
Cravar-lhe os dentes
Tomando-a de posse
Doce vício
De respirar
Doce vício
De ter, provar
Todas as verdades,
Dos erros, maldades
Sim, em algum lugar
Sofro, sem mesmo estar
Morto, um corpo sem lar
A realidade
Em imortalidade
Sente, ao degustar
O Doce
E irá provar
Vícios
E sem parar
Sentirá vontades
Sem imortalidade
Sim, perdida ao errar
Quantas músicas, não? Mas é bom... Muito bom...
Dos meus dedos mal posso
Valer e assim
Não o tenho em meus ossos
Mas procuro encontrar
Nem que seja em vão
Poder lamentar
Caprichos à mão
Doce vício
O de respirar
Doce vício
De ter, provar
Todas as verdades,
Dos erros, maldades
Sim, em algum lugar
Acredite em mim
A verdade é o ópio
Simples assim
Mas tê-la eu não posso
E todo o esforço
Levado ao impulso
Cravar-lhe os dentes
Tomando-a de posse
Doce vício
De respirar
Doce vício
De ter, provar
Todas as verdades,
Dos erros, maldades
Sim, em algum lugar
Sofro, sem mesmo estar
Morto, um corpo sem lar
A realidade
Em imortalidade
Sente, ao degustar
O Doce
E irá provar
Vícios
E sem parar
Sentirá vontades
Sem imortalidade
Sim, perdida ao errar
Quantas músicas, não? Mas é bom... Muito bom...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O mundo aos olhos de quem vê
Hoje, chegando mais uma vez a incrível marca de ter mais um texto que sobrevive exclusivamente pelos meus delírios, ponho-me a delirar novamente, e quem passar e ler, o fará furtivamente, como quem lê o que não deve, como quem bebe do que não pode...
Pois bem, escreverei novamente de improviso, para ver até onde as teclas tocam-me a inconsiência, falarei do que me impuseram hoje, falarei de todos, falarei de você.
E me contaram, que o mundo é o retrato dos olhos que o vê, nada mais que outro eu, uma tosca cópia de você. Em hora, me puseram em cheque a consiência, a minha filosofia a minha praticidade de vivência.
De certo o almoço não é dos melhores horários para indagar meus próprios fantasmas, deixá-los falar aos ventos e expôr suas falácias performáticas. Pois bem, atirando a esmo novamente, de madrugada, as mentiras se fazem verdade, mas meus olhos não vêem meu mundo. E eu me encerro em palavras...
O seu mundo não passa do hálito nebuloso da alma, como um eterno dia frio pra quem respira procurando ar. O seu mundo não passa de algumas poucas experiências, mas não as torne em mentiras apregoadas pelos olhos, o seu mundo existe, ainda pode ser tocado, não pertence aos ceus domínios, mas ainda tangem o alcance de seus braços.
Viva pelos olhos e o que te pertencerá serão apenas as mentiras que insiste em enxergar, mas lhe são desleais e o matam. Pois então viva pela tato da alma, e verás que podes tocar o mundo em verdade, sem medo de lhe parecer falso, sem que seja visto pelos olhos de quem mente.
Meu mundo é o que sou, não o que penso, sou o que sou, não o que vêem, minhas verdades são o que sinto, e delas alimento a mente.
O mundo aos olhos de quem vê não passam de ondas com fragmentos de verdade, o mundo aos olhos de quem o vê não me atinge, nem mesmo pertenço a esse plano de existência.
Pois bem, escreverei novamente de improviso, para ver até onde as teclas tocam-me a inconsiência, falarei do que me impuseram hoje, falarei de todos, falarei de você.
E me contaram, que o mundo é o retrato dos olhos que o vê, nada mais que outro eu, uma tosca cópia de você. Em hora, me puseram em cheque a consiência, a minha filosofia a minha praticidade de vivência.
De certo o almoço não é dos melhores horários para indagar meus próprios fantasmas, deixá-los falar aos ventos e expôr suas falácias performáticas. Pois bem, atirando a esmo novamente, de madrugada, as mentiras se fazem verdade, mas meus olhos não vêem meu mundo. E eu me encerro em palavras...
O seu mundo não passa do hálito nebuloso da alma, como um eterno dia frio pra quem respira procurando ar. O seu mundo não passa de algumas poucas experiências, mas não as torne em mentiras apregoadas pelos olhos, o seu mundo existe, ainda pode ser tocado, não pertence aos ceus domínios, mas ainda tangem o alcance de seus braços.
Viva pelos olhos e o que te pertencerá serão apenas as mentiras que insiste em enxergar, mas lhe são desleais e o matam. Pois então viva pela tato da alma, e verás que podes tocar o mundo em verdade, sem medo de lhe parecer falso, sem que seja visto pelos olhos de quem mente.
Meu mundo é o que sou, não o que penso, sou o que sou, não o que vêem, minhas verdades são o que sinto, e delas alimento a mente.
O mundo aos olhos de quem vê não passam de ondas com fragmentos de verdade, o mundo aos olhos de quem o vê não me atinge, nem mesmo pertenço a esse plano de existência.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mais fumaça do que névoa
De certo ja sabe que não estás a ler as palavras de uma pessoa certa de sua sanidade, ou de algum carola da normalidade. Pois bem, eis uma citação para falar de mim:
"ele era muito magro, de uma magreza cadavérica, como são magros certos loucos obcecados por uma idéia, porque o pensamento doente devora a carne do corpo mais do que a febre ou a tuberculose."
Essa citação é de um livro de Guy de Maupassant que vi solta na internet. Verdadeira.
Estou escrevendo novamente sob o vel da morte que acolhe os meus despontes, minhas faíscas. Não é a primeira vez.
Mas sim, certos loucos que têm da carne o deguste da insanidade devem por meio de algum mistério ter sua carne devorada e roído os seus ossos até que não reste nada. Assim seja, intrépida infante do obscuro. Cedo meus ossos e minha carne para que se perverta com a minha loucura, que corre as veias e envenena a alma.
"ele era muito magro, de uma magreza cadavérica, como são magros certos loucos obcecados por uma idéia, porque o pensamento doente devora a carne do corpo mais do que a febre ou a tuberculose."
Guy de Maupassant
Essa citação é de um livro de Guy de Maupassant que vi solta na internet. Verdadeira.
Estou escrevendo novamente sob o vel da morte que acolhe os meus despontes, minhas faíscas. Não é a primeira vez.
Mas sim, certos loucos que têm da carne o deguste da insanidade devem por meio de algum mistério ter sua carne devorada e roído os seus ossos até que não reste nada. Assim seja, intrépida infante do obscuro. Cedo meus ossos e minha carne para que se perverta com a minha loucura, que corre as veias e envenena a alma.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Catarina Guilhotina
E eu, que queria paz
Tranqüilidade, e nada mais
Perdi meu senso, a sanidade
Te desejando, cada vez mais
Na imoralidade da liberdade
Essa menina levou minha paz
Por onde passa, deixa fumaça
E o vento que ela arrasta
Corta cabeças, sim, ela mata
A Catarina, essa menina
De furacão, a mesma graça
Corta cabeças, sim, ela mata
Da Guilhotina, ninguém escapa
Montada sempre em duas rodas
Cabelo ao vento, queimando estrada
Foragida, como falsária
Uma golpista, com dons de ladra
Ao som do aço, voando longe
Sem qualquer amarra, sem nada mais
Por onde passa, deixa fumaça
E o vento que ela arrasta
Corta cabeças, sim, ela mata
A Catarina, essa menina
De furacão, a mesma graça
Corta cabeças, sim, ela mata
Da Guilhotina, ninguém escapa
E eu, que queria a paz
Agora o alcool, e nada mais
Perdi meu senso, a sanidade
Perto de ti, copos atrás
Na insensatez, da embriaguez
Brindando hoje, ao que não tenho mais
Em tempos outra letra... Liberdade e outra tentativa de musicalidade. Nessa extensão densa do meu eu, sim, liberdade. (2 atualizações)
Tranqüilidade, e nada mais
Perdi meu senso, a sanidade
Te desejando, cada vez mais
Na imoralidade da liberdade
Essa menina levou minha paz
Por onde passa, deixa fumaça
E o vento que ela arrasta
Corta cabeças, sim, ela mata
A Catarina, essa menina
De furacão, a mesma graça
Corta cabeças, sim, ela mata
Da Guilhotina, ninguém escapa
Montada sempre em duas rodas
Cabelo ao vento, queimando estrada
Foragida, como falsária
Uma golpista, com dons de ladra
Ao som do aço, voando longe
Sem qualquer amarra, sem nada mais
Por onde passa, deixa fumaça
E o vento que ela arrasta
Corta cabeças, sim, ela mata
A Catarina, essa menina
De furacão, a mesma graça
Corta cabeças, sim, ela mata
Da Guilhotina, ninguém escapa
E eu, que queria a paz
Agora o alcool, e nada mais
Perdi meu senso, a sanidade
Perto de ti, copos atrás
Na insensatez, da embriaguez
Brindando hoje, ao que não tenho mais
Em tempos outra letra... Liberdade e outra tentativa de musicalidade. Nessa extensão densa do meu eu, sim, liberdade. (2 atualizações)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Faça o que não existe
Corpos ao chão por anos
E o cheiro pútrido de eras
Onde a morte perdura
E a vida todo dia morre
Nestes restos atearei fogo
E roubarei as cifras dos olhos
As cinzas jogarei n’água
E os espíritos em esquecimento
Para olhar nos olhos
Das cabeças, do que resta
Olhar para os pertencentes ao chão
E recitar meus delírios
Declarar-lhes a morte epopéica
Olhem me nos olhos, almas mortas
E acalmem seus cinco punhos
Olhem me nos olhos, olhem para baixo
E retornem do profundo,
Do distante inferno em que se acham
Novamente vos ponho fogo
Novamente vos jogo à água
Novamente vos roubo
Novamente vos remeto ao limbo
Calem seus protestos e vão
Minhas incômodas recordações
Já mortas pelos olhos
E tão somente pelos olhos
Aguardem à beira do Lethe
Até que outro dia chegue
De invocar e matar novamente
A minha perdida sanidade
As lembranças que não existiram
Agora então tirando o pó deste lugar sombrio e solitário novamente, só para que não fique em abandono mesmo, faz muito tempo que não sinto os dedos coçarem pra escrever algo, mas é a vida... Embora eu goste de trocar palavras com meu próprio e talvez o possível alter-ego nessas linhas corridas de um blog, estou de saco cheio. Passar bem, adieu.
E o cheiro pútrido de eras
Onde a morte perdura
E a vida todo dia morre
Nestes restos atearei fogo
E roubarei as cifras dos olhos
As cinzas jogarei n’água
E os espíritos em esquecimento
Para olhar nos olhos
Das cabeças, do que resta
Olhar para os pertencentes ao chão
E recitar meus delírios
Declarar-lhes a morte epopéica
Olhem me nos olhos, almas mortas
E acalmem seus cinco punhos
Olhem me nos olhos, olhem para baixo
E retornem do profundo,
Do distante inferno em que se acham
Novamente vos ponho fogo
Novamente vos jogo à água
Novamente vos roubo
Novamente vos remeto ao limbo
Calem seus protestos e vão
Minhas incômodas recordações
Já mortas pelos olhos
E tão somente pelos olhos
Aguardem à beira do Lethe
Até que outro dia chegue
De invocar e matar novamente
A minha perdida sanidade
As lembranças que não existiram
Agora então tirando o pó deste lugar sombrio e solitário novamente, só para que não fique em abandono mesmo, faz muito tempo que não sinto os dedos coçarem pra escrever algo, mas é a vida... Embora eu goste de trocar palavras com meu próprio e talvez o possível alter-ego nessas linhas corridas de um blog, estou de saco cheio. Passar bem, adieu.
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