domingo, 6 de dezembro de 2009

Baú de cacos

Jogado aos trapos, de membros largados, putrefatos sobre o sofá. Entre os espasmos elétricos de mentiras, retratos ilusórios e todos os outros paradoxos da vida, pasmo os olhos pra não ver e embaço a realidade. Embaço, e me abraço a lembranças de ontem e anteontem, tão distantes quanto se pode ver.

Queria os mesmos caninos para morder cartuchos de balas, faiscar a pólvora com os dentes e cuspir sobre as sepulturas dos fantasmas da minha vida. Infelizmente, sou problema. Infelizmente.

E dos outros problemas, sou o que mais irrita, o que palpita e lateja como um câncer que nada objetiva além de matar.

Mas as novidades são escassas e de certo morrem com o que sobra da consciência deste pobre homem, a juntar os cacos nesse baú velho e moribundo.

Vou ficar e apodrecer por esses instantes, até que algo suficientemente bom, de fato, me faça levantar.



Will

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Desconhecido demais

Você, que é de vidro e disfarça
E sempre, quem tira a cara à todo tapa
E mente, vive à soberba de uma errata

Qual humanidade me traz?
E porque tão diferente?

Desconhecido demais
Pra viver inconseqüente
Sagacidade demais
Pra um só recipiente
De alguém como você

E ainda, que é de sangue que escorre
Oculto, que não se sabe onde corre
E sente, que sua vida se esconde

Será assim por quanto mais?
Só agora é que entende?

Desconhecido demais
Pra viver inconseqüente
Sagacidade demais
Pra um só recipiente
De alguém como você

Que em segundos desses dias
Some gradativamente...


Will

Passando por aqui, pra não dizer que o abandono de tudo toma posse...

domingo, 1 de novembro de 2009

Tempos sem fundo

Entre e veja por som
Anos de poços sem fundo
Ecos de iras em vão
Histórias de um beco impuro

Ligue as ondas de um botão
Não são mais que irritantes
Presas aos traços de cor
Carceradas, brilhantes!

Mas se um dia se ver livre
Arrependido verás...
O que fez!

Veja a cor do céu
Acima do mundo!
Vê a verdade de um réu?
Você verá tudo!

Linhas, n’areia do caos e...
Tempos de rimas em mudo
Sábios com termos de sal
Leves cantos de absurdo

Hora, de estancar não mais!
E pouco fazer
Hora, de tempos atrás
Que hoje eu sei

Veja a cor do céu
Acima do mundo!
Vê a verdade de um réu?
Você verá tudo!

Hora de tiros de fel
Livres de pouco assunto
Vê os meus tiros, meu céu?
Você verá tudo!


Will

É, são tempos que precisam de música, de mudança...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Armas e asas negras

Pobre diabo armado, que destila e profere adagas de veneno contra o próprio peito. Pobre dos olhos abaixo, que nunca tocaram o céu, e das mentiras restando tão somente o amargo fel. Deliberado respingar de lágrimas ácidas, mordendo quinas aparadas de marfim, rangendo ao trepidar dos ventos, matando a vida que se ergue abaixo do negro solado que cobre os pés.

O bater da porta é inevitável. Ao sabor de maçãs doces, viajo ao confins do mundo e me recolho. O poetizar da morte, tal qual a lírica da vida, ambos ressoam no mesmo corredor raso das urnas e dos ossuários. Cântido desejo de asas negras, a inflamar o mar de óleo ralo. Em que frases soltas queimam como fósforos esparsos num dia de vento, mas os brilhos em meio a noite perduram e marcam com vermelho os negros olhos da noite.

Esses são os desejos de um matador de aluguel que não se vende, e nem mesmo mata. As últimas palavras do testamento indigente, de um legítimo Zé ninguém. Em que assinado com traços de carvão, sela todas e mais outras promessas, todas elas em vão.


Will

Sei que por hoje algo me corrói, já não é de agora, nem de pouco antes. Sei que por hoje algo me corrói, e hei de cuspir amargo até que sinta denovo palavras doces...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pierrô Incendiário

Você pode ver
Do alto do terraço
Pontos claros e fumaça
De um brilho que inspira
Comumente ainda vejo
Dias 23 mas nem sempre
Perdido entre noites quentes
As estrelas que cintilam
Livres em fogo ardente

De um fogo abandonado
Chorando lágrimas de cinzas
Pierrô incendiário
Pondo luz a estes dias

Me dê um cálice de gasolina
Para brindar à estas vidas
Atear luz, sorrindo dias
Inspirando a fuligem da vida

Olhos manchados
Da pintura de um bobo
Pierrô, louco ou palhaço?
Que flama poemas em fumaça
Livrado os dias 23
Viverá ele com quais laços?

De um fogo abandonado
Chorando lágrimas de cinzas
Pierrô incendiário
Pondo luz a estes dias

Me dê um cálice de gasolina
Para brindar à estas vidas
Atear luz, sorrindo dias
Inspirando a fuligem da vida

Alastrando a gasolina
Debaixo do céu negro
Agarre um fósforo e faça luz
Atirando ao alto os sonhos
De Pierrô incendiário... Boom!


Will


Nem mesmo meus dias me ajudam a deixar a psicose aflorar, não foi algo deveras inspirado, nem deveras psicótico quanto poderia ser, mas enfim... São corpos pegando fogo do mesmo jeito...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Orkut

Sabe, estava a ler meu orkut e vi que tem coisas legais perdidas pelo perfil, vou dar uma amostra pra ser lembrada e servir de inspiração posterior:


Quem sou eu: "Eu sou tudo que eu e você gostaríamos de ser, e ainda assim gostaria de ser você."

Paixões: "Amo todas as minhas cartas, de um baralho cheio delas, e de todas a favorita, dama, de ouro, é o nome dela..."

Livros: "Éam, nops? Mamãe, eu disse que queria ser engenheiro, brincar com números e entender a tal da física, mas oras, de tempos virei pedreiro, tijolo cimento, cantadas de primeira, é coisa demais. Ler? Não aguento..."

Descrição do trabalho: "Como todo perfeito atrapalhado, acordo, me visto, me malho. Eis que o peso acima do pescoço é deveras incômodo, e todo o vazio denso entre as orelhas incomoda a sanidade. Desde o princípio, que também era o fim, eu pequeno, dando trabalho para mim. Sabe, sou um trabalho feliz, sou um trabalho atrapalhado, sou um trabalho inconstante, mas acho que sou um trabalho amado..."

Will


Sabe, preciso voltar a ter tempo pra tudo isso aqui que gosto muito... Enfim, fora a frase dos livros, as outras são deveras poéticas e profundas, entenda-as como quiser... Boa madrugada...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Há de ser

Desde quando, vai saber
Que não risca o ar, nem eu sei
Certos dias nascem para ser
Loucos dias, e dias pra viver

Saque suas injúrias pra dizer
Palavras na agulha há de ter
Puxe o percursor, o que irá fazer?

Bélico há de ser

Mordendo os lábio pra conter
Impulsos loucos a nascer
Fazendo a mira por fazer
Incertos alvos de acasos sem porque

Saque suas injúrias pra dizer
Palavras na agulha há de ter
Puxe o percursor, o que irá fazer?

Bélico há de ser

Até quando conterá
A língua no gatilho do dizer
Suportando, algum dia...

Bélico há de ser...

Will


Escrever música é algo fenomenal, fazê-la soar é melhor ainda...