segunda-feira, 20 de julho de 2009

Faça o que não existe

Corpos ao chão por anos
E o cheiro pútrido de eras
Onde a morte perdura
E a vida todo dia morre

Nestes restos atearei fogo
E roubarei as cifras dos olhos
As cinzas jogarei n’água
E os espíritos em esquecimento
Para olhar nos olhos
Das cabeças, do que resta
Olhar para os pertencentes ao chão
E recitar meus delírios
Declarar-lhes a morte epopéica

Olhem me nos olhos, almas mortas
E acalmem seus cinco punhos
Olhem me nos olhos, olhem para baixo
E retornem do profundo,
Do distante inferno em que se acham

Novamente vos ponho fogo
Novamente vos jogo à água
Novamente vos roubo
Novamente vos remeto ao limbo

Calem seus protestos e vão
Minhas incômodas recordações
Já mortas pelos olhos
E tão somente pelos olhos
Aguardem à beira do Lethe
Até que outro dia chegue
De invocar e matar novamente
A minha perdida sanidade
As lembranças que não existiram


Agora então tirando o pó deste lugar sombrio e solitário novamente, só para que não fique em abandono mesmo, faz muito tempo que não sinto os dedos coçarem pra escrever algo, mas é a vida... Embora eu goste de trocar palavras com meu próprio e talvez o possível alter-ego nessas linhas corridas de um blog, estou de saco cheio. Passar bem, adieu.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Enfim essa noite termina

Antecipando, esse será mais um post de falatório.

Aliás, até agora, se minhas contas estiverem certas, eu postei uma quantia de 20 textos próprios, incluindo os textos que estão no blog da Dee e os links estão aqui. Claro que entenda textos por coisas que eu escrevi como poemas, músicas, narrativas e etc... Óbvio que descontei os posts de falatório, como apresentações e esse aqui.

Encerrando, essa noite dos mortos vivos termina aqui, devo ter um ou outro texto velho sobrando pra postar, mas os que merecem(os menos piores) estão aqui. Existem também os inacabados a décadas, mas isso é história pra outro dia.

Bons sonhos a todos, tenho prova de física III amanhã, me desejem sorte...

Serenata de Duas

Entre sonhos livres, me perdi
E destes, porque estou aqui
Lábios cerrados, olhos fechados
Alucinando, perdido em mim

Iluminando, tentando ver
Dos meus lírios, sempre gastos
Das palavras, geralmente simples
Viver, meus minutos, meus laços

Venho todos os dias, a saber
Que de branco, embora negro
Cubro-me, e me alegro
Sorrindo, pelos dias em haver

E com suspiros, ainda me levo
Tomando o ar, ganhando
De tempos em tempo, ainda perdendo
Por mim, por ti e por todos eles



Esse é mais recente...

Um Segredo Compartilhei

Vou te contar um segredo, e que daqui não saia, nem de mim, nem de ti. Quero te dizer que a vida tem seus vários caminhos e suas incríveis e incontáveis faces, dizer-te que os vários tapas também foram abraços e que as várias lágrimas hoje me são imensuráveis sorrisos.

Revelá-lo vou, portanto não tema, a vida é mais que a espera da morte, e talvez(se já não o é), muito mais que o dito fim. E de fins se fazem começos, dos começos se fazem vidas, e com vidas se fazem mágicas. Espetáculos se montam todos os dias, e deles vemos shows. Não me desaponte criança, brilhe à luz da noite, e dela faça dia, amanheça com o ballet das estrelas e dance ao som do vento. E que um sorriso, um e tantos outros, seja brisa. Brisa constante, que carrega as esperança, os sonhos, pra muito além das estrelas que cobrem o céu.

Saiba que sua vida não é só sua, e não está só em você, saiba que o calor da sua alma vai além do que você, por enquanto, ainda suspeita. Saiba que você não é você, e que hoje, é melhor do que poderia ser ontem. E assim olhe a sua volta, e reconheça que você está ali, e quando pessoalmente não estiver, ao menos seu sutil toque continuará a mover algumas das pequenas coisas, e que seu cheiro estará sempre naquele ar.

Assim, viva por momentos, e sobreviva por pessoas. E que se tornem fotos, das quais nunca esquecerá, todas as cenas da memória de uma vida. Adiante verá, e com o mesmo ar da saudosa canção do exílio, se arremeterá às suas palmeiras, e aos seus sabiás.

Portanto respire fundo e sinta queimar segundo a segundo o que está vivendo, saiba que você está ali e que vale a pena. E aqui, vão contigo essas poucas linhas, para que ao longo da vida se lembre delas e diga que um segredo compartilhei, e que com ele, contigo fui também, assim como direi que comigo você está.



Esse é tão velho quanto parece, um dos primeiros também...

O Realejo

De todas as coisas
Dentre todos os modos
Medos, credos, segredos
Eu ouço o realejo, ainda ouço o realejo
Meus sonhos, pesadelos, querendo brincar

Excentricidade é só o que vejo
Loucura, lúcida, desejo

Tragam-me a noite
Os dias, assim, a minha vida
Perdida, a beira da estrada
Vagando, querendo dançar

Eu quero o ópio, luxúria da mente
Enquanto ainda penso, ainda como gente
Um brinde a gasolina que desata a queimar

Eu sonho, eu ainda sonho, com meus dias a passar
Eu vejo, eu ainda vejo, tudo a volta girar
E nada disso me tira da loucura, de viver, poder gritar


Mais uma tentativa de música, eu sei lá se devo continuar com isso xD

Psicose e Cronologia

Sabe, hoje relembrei-me de mim mesmo
Reaprendi o que sabia de antemão
O que tinha, sem esforço ou enfoque
Certas coisas, inerentes ao coração
E nelas me ative por certos instantes
Não muito grandes, nem muito complexos
Só mesmo para revê-las, tocar-lhes a face
Nada merecedor de perplexidade
E realmente, na verdade, ainda acho
Que em conjuras, esses pensamentos
Mais merecem a sua parcialidade
Voltada contra mim
Mas não vou pensar em ti, não hoje
Hoje nasci pra pensar em mim

Tanto espaço até aqui, não acha?
E como quem dorme, e não vê a viagem
Digo que não acho, mas o que me diz?
Só me diz o que não quero ouvir

Sabe, hoje me lembrei do que eu quero
E assim também fiz com o que não quero
E simplesmente tudo some ao som da vida
Simplesmente mais uma distração, ao fim.

Acordo dias depois, e vejo que estou no amanhã
Vejo que tudo que pensava estava certo
Que por enquanto meu cretino destino
É linear, previsível e concreto

Já fiz milhares de promessas que não cumpri
Já tive amizades que nunca mais vi
Já possui batalhas que não travei e venci
Já fugi dos outros para fugir de mim
Mais que tudo, cada dia mais
Tudo que vejo, tudo que faço
O que penso, com minuciosos traços
Serve, de certo, para que caia em mim

Mas agora eu percebo
Que já me basta o medo
De perder, de fazer
De passar, atravessar
E vejo que aqui estou eu
Com minhas mãos seladas
Milhares de horas passadas
Mantendo promessas já pagas
Até o dia em que o prazer será seu
De saber o quanto passou, o quanto virá
Simplesmente de quem sou, e passará

Desapercebido os dias passam
E sem noção de hora a vida passa
Mas sou eu, e isso me basta...



Uma dica, esse texto foi escrito na madrugada de 12 de abril de 2008, talvez chegando até o início do dia 13...

Por Lupo Batizado

Sou uma criança com seus problemas
Uma alma insana e com mais alguns dilemas
Sou o que balança à ventos e tornados
Algo perdido em todos os achados
Sou a sua inconsciência e o seu meditar
Somente a fé com medo de acreditar

Sou o que completa em detalhes um cartão postal
Estranhos gostos de alegrias em comum
Sou a piada de todo dia, é o que me faz normal
Sou vários, e também sou um

Sou reflexo dos que me cercam
E estes são de mim reflexos também
Sou tudo o que pensam e falam
Toda a sua indecisão, e talvez algo além...

Sou quem olha aos céus pra viver na terra
Quem procura paz até em meio à guerra
Sou quem gosta do pandemônio tocado em suaves acordes
Quem a paz procura nos barulhos maiores
Sou o desatento que se apega a pequenos detalhes.
Minha solução, e também todos os meus entraves

Sou a felicidades em suaves prestações
E todas a perder de vista
Sou a ligação de todas as relações
Sou eu, algum tipo de egoísta

Sou a capacidade de lutar e o primeiro a pacificar
Sou a falta do que fazer e a preguiça cheia de querer
Sou a vontade de ferir e a força de suprimir

Sou eu e todas as extensões de mim mesmo
O que dorme por si e acorda por mais que isso
Algum louco que dispara à esmo
Sem alvo ou objetivo desde o início
Sou o planejado que dá errado e os sucessos dos acasos
Aquele que vibra com sorrisos e se derrete com abraços

Sou o todo das partes de um único viver
O solitário que adora estar em grupo
Sou o que me queriam, e ainda sim, sou o melhor que posso querer ser
Algo a que um dos nomes é dito Lupo.



Outro "quem sou eu". Relativamente tão denotativo quanto deveria ou poderia ser...
E os revival's continuarão até que não sobre mais nenhum texto, afinal isso aqui vai virar minha biblioteca, e eu não conseguirei escrever nada novo até que não me reste nada mais de antigo para expôr...